domingo, 4 de agosto de 2013
quarta-feira, 17 de julho de 2013
Por: Daniel Oliveira
O BPN foi, como se sabe, oferecido ao banco de Mira Amaral. Sim, 40 milhões de euros por um banco é uma oferta. E foi oferecido sem as dívidas, sem tudo o que nele era tóxico e problemático. Isso, Passos Coelho, homem do rigor e dos sacrifícios, deixou para os contribuintes. Para conseguir este extraordinário montante, o Estado deu todas as garantias: o contrato assinado com o BIC prevê que o banco se responsabilize por resolver as ações judiciais instauradas contra o BPN por clientes e trabalhadores, mas, claro está, mediante reembolso do Estado. A primeira factura chegou: 100 milhões de euros. No fim o Estado pode vir a pagar ao BIC cerca de 600 milhões de euros. 15 vezes mais do que recebeu pela privatização.
Com quase todos os que levaram o BPN à ruína em liberdade, com uma obscura venda por trocos a um banco presidido por um ex-ministro do PSD, deixando todos os podres para os contribuintes, o Estado continuará a financiar cada problema que surja num banco que, na realidade, apenas geriu por dois anos. O BPN foi assaltado pelos seus próprios donos, nós pagamos. O BPN é privatizado, nós pagamos. O BPN continua a ter problemas por resolver, nós continuamos a pagar. Tirando a nacionalização, tudo isto é feito por um governo que se atreve a dar lições sobre o despesismo que nos terá levado até aqui. O problema é, ao que parece, querermos ter hospitais, escolas e reformas que não podemos pagar.
O obscuro processo de reprivatização do BPN, um autêntico assalto ao Estado, dirigido pelo ex-ministro das Finanças Vítor Gaspar, coordenado pela então secretária de Estado do Tesouro, Maria Luís Albuquerque, e apoiado pelo primeiro-ministro Passos Coelho, só podia, num país com algum respeito pelos contribuintes, acabar na barra do tribunal. Com o julgamento dos decisores políticos que determinaram as escandalosas condições e montantes para esta privatização. Mas por cá, pede-se responsabilidade a todos os partidos. Que negoceiem com esta gente a "salvação nacional". Talvez chamar o cavaquista Mira Amaral como "personalidade de reconhecido prestígio" para moderar as conversas. Assim ficava tudo em casa.
Este episódio, a privatização dos CTT e das Águas de Portugal, e todos os negócios que ainda estão por fazer, são uma das razões porque tanta gente muito respeitável da política e dos negócios não quer ondas. Não quer eleições, oposição, contraditório. O próprio Mira Amaral disse, um dia depois da demissão de Paulo Portas, que o Presidente da República só deveria "convocar eleições em caso extremo", defendendo "um acordo entre os grandes partidos, PSD, PP e PS, que sustentasse uma solução de governo". Há que manter tudo sereno, consensual, em silêncio. Porque, como se sabe, a crise é sempre uma oportunidade. Que não venha a democracia agitar tão prazenteiro pântano.
quarta-feira, 10 de julho de 2013
A Isilda esqueceu-se que é professora. Tavez não seja mesmo!
A deputada do PSD, Isilda Aguincha, candidata à Câmara Municipal do Entroncamento, disse, terça-feira, dia 18, no Parlamento, a propósito das greves de professores, que "esta é uma luta dos sindicatos, não dos professores", o que demonstra uma perceção enviesada da realidade e uma intenção despudorada de pactuar com a estratégia de agressão à classe docente - pilar essencial na construção dum futuro com esperança - levada a cabo pelo Governo.
Uma mente assim não interessa ao País nem, muito menos, ao Entroncamento.
Os professores , os seus familiares e os seus amigos, eleitores no Entroncamento, não querem esta senhora para presidente da Câmara. Vão penalizar Isilda Aguincha.
NÃO votes PSD!!!
A luta é mesmo dos professores, por uma escola pública de qualidade e por um País com futuro!
Reencaminha para todos os que votam no Entroncamento.
Uma mente assim não interessa ao País nem, muito menos, ao Entroncamento.
Os professores , os seus familiares e os seus amigos, eleitores no Entroncamento, não querem esta senhora para presidente da Câmara. Vão penalizar Isilda Aguincha.
NÃO votes PSD!!!
A luta é mesmo dos professores, por uma escola pública de qualidade e por um País com futuro!
Reencaminha para todos os que votam no Entroncamento.
domingo, 7 de julho de 2013
Duas notícias
Duas notícias
MUITO IMPORTANTES
Este planeta tem cada coisa...
Notícia 1
A filha do presidente de Angola é a primeira mulher bilionária africana (1000 milhões de dólares).
Notícia 2
A UNICEF precisa de 4 milhões de dólares para salvar as crianças angolanas subnutridas.
MUITO IMPORTANTES
Este planeta tem cada coisa...
Notícia 1
A filha do presidente de Angola é a primeira mulher bilionária africana (1000 milhões de dólares).
Notícia 2
A UNICEF precisa de 4 milhões de dólares para salvar as crianças angolanas subnutridas.
sexta-feira, 5 de julho de 2013
está real
Carta ao Sr. Prof Cavaco Silva. Ilustre Presidente da República
ESTA ESTÁ REAL…
É bom de "atentar" sobre o que aqui se denuncia ......
Meu Caro Sr Prof Cavaco Silva,
Ilustre Presidente da República
Antes de mais, peço desculpa por, DE NOVO, me dirigir a si através deste meio, o facebook, mas, aparentemente, pelas suas (E DOS SEUS MAIS PRÓXIMOS) reacções à minha anterior missiva, este é o único meio a que Vossa Excelência responde (independentemente da qualidade, da honestidade ou da boa fé da sua resposta, por palavras ou, principalmente, por actos).
Acabei de ler as SUAS DECLARAÇÕES de ontem, dia 10 de Junho (dia de Portugal, de Camões, das Comunidades Portuguesas … do que lhe quiserem chamar). Peço desculpa por não o ter visto ou ouvido em directo mas, como Vossa Excelência deve entender, depois dos seus últimos actos para comigo (e para com muitos dos que discordam de si), NÃO TENHO MUITA VONTADE DE O VER OU OUVIR.
De acordo com o que li, o Senhor disse que: NÃO HÁ RISCOS associados a FRAGMENTAÇÃO SOCIAL.
Meu caro Senhor Professor, lamento informá-lo mas ESTÁ ENGANADO, quiçá mal informado, mal assessorado ou, simplesmente, mal acompanhado.
CONVIDO-O A LEVANTAR-SE DA SUA CADEIRA PRESIDENCIAL e fazer uma visita ao País real.
Como estamos em época de contenção de custos, proponho-lhe, desde já, uma viagem simples (menos de 20 euros por cada pessoa que quiser levar na comitiva presidencial, recorrendo aos bons serviços da CARRIS e aos excelentes serviços do Metropolitano de Lisboa).
Repito: CONVIDO-O A LEVANTAR-SE DA SUA CADEIRA PRESIDENCIAL e fazer uma visita ao País real.
Uma visita simples:
- Saia do palácio ao princípio da manhã e apanhe um autocarro de Belém para o Areeiro; meta-se no Metro e saia na Estação dos Anjos, ao meio da manhã, para ver a FILA DE ESFOMEADOS (SÃO PESSOAS) que ali se junta (e ali se aguenta um par de horas) para receber uma REFEIÇÃO GRATUITA;
- Meta-se de novo no Metro, escolha qualquer direcção e saia num dos grandes centros comerciais de Lisboa e vá almoçar; OBSERVE as pessoas que navegam nas zonas de alimentação à espera que os outros se levantem para, de forma rápida, se sentarem para COMER OS RESTOS DEIXADOS NOS PRATOS (e repare, REPARE BEM, SÃO PESSOAS que ainda se conseguem apresentar de forma suficientemente “bem” para escaparem à vigilância dos seguranças);
- Apanhe o Metro, um Autocarro, ou uma combinação dos dois e vá até junto do Tejo; passeie a tarde a pé do Terreiro do Paço até ao Cais do Sodré e observe; OBSERVE as pessoas (são velhos, essa raça desprezada, mas ainda SÃO PESSOAS) que disputam com os Pombos e as Gaivotas as dádivas de comida, para espanto (e fotografia) dos turistas que nos visitam;
- Apanhe o Metro e vá jantar a outro dos grandes centros comerciais da Cidade e observe; OBSERVE que se repete a cena do almoço (e olhe bem, SÃO PESSOAS);
- Não demore muito a jantar; apanhe a linha vermelha e saia nas Olaias por volta das 21:30 e veja o aglomerado de pessoas (SÃO PESSOAS, Senhor Presidente) que esperam ansiosamente a colocação, no exterior, dos caixotes do lixo do supermercado para, cuidadosamente, tentar encontrar “coisas” que se possam comer;
- Já que está por ali, entre de novo na linha vermelha e vá até à Gare do Oriente, um dos símbolos indiscutíveis do Portugal Moderno; sente-se no muro junto à PSP e observe; OBSERVE as pessoas (SÃO PESSOAS, Senhor Professor, muitas pessoas) que naqueles muros frios encontram a única cama que lhes resta para passar a noite.
Repito: CONVIDO-O A LEVANTAR-SE DA SUA CADEIRA PRESIDENCIAL e fazer uma visita ao País real. Esta visita simples que lhe propus. Bem sei que o Senhor acha que eu sou pouco inteligente e que pertenço ao grupo de pessoas que, erradamente (as palavras são suas), escrevem contra o oásis em que vivemos. Mas, por uma vez, aceite um conselho meu: LEVANTE-SE DA SUA CADEIRA PRESIDENCIAL e vá sentir a verdade.
Se, por dificuldades orçamentais, esta visita não planeada, não tiver autorização de verbas do Sr Dr Vitor Gaspar, ofereço-me aqui, PUBLICAMENTE, para a custear.
Eu sei, reconheço-lhe isso, que o Senhor é superiormente inteligente. Muito mais que eu. De qualquer outra forma TERIA SIDO IMPOSSÍVEL, para si, com os seus, e da Sra D Maria, MODESTOS RENDIMENTOS (as palavras são, uma vez mais, suas) ter-se tornado rico e juntado o pecúlio MILIONÁRIO que detém.
Mas, se é assim inteligente, é impossível não ser observador. LEVANTE-SE DA SUA CADEIRA PRESIDENCIAL e OBSERVE!
E, meu caro, SE DEPOIS DESTA VISITA, que graciosamente lhe desenhei, continuar a achar que NÃO HÁ RISCOS associados a FRAGMENTAÇÃO SOCIAL, então o caso é muito mais sério do que aparenta! Não sei se por degeneração mental, como alguns afirmam, se por chantagem sobre o caso BPN, como outros ventilam ou, ainda, se por PURA MALDADE (eventualmente refinada com a idade). Só sei que É GRAVE!
Despeço-me respeitosamente, aproveitando para lhe deixar um último conselho (meu e de todos os que ainda temos uma réstia de humanidade): aproveite o facto de se ter LEVANTADO DA SUA CADEIRA PRESIDENCIAL e … VÁ-SE EMBORA!
Respeitosamente,Carlos Paz
ESTA ESTÁ REAL…
É bom de "atentar" sobre o que aqui se denuncia ......
Meu Caro Sr Prof Cavaco Silva,
Ilustre Presidente da República
Antes de mais, peço desculpa por, DE NOVO, me dirigir a si através deste meio, o facebook, mas, aparentemente, pelas suas (E DOS SEUS MAIS PRÓXIMOS) reacções à minha anterior missiva, este é o único meio a que Vossa Excelência responde (independentemente da qualidade, da honestidade ou da boa fé da sua resposta, por palavras ou, principalmente, por actos).
Acabei de ler as SUAS DECLARAÇÕES de ontem, dia 10 de Junho (dia de Portugal, de Camões, das Comunidades Portuguesas … do que lhe quiserem chamar). Peço desculpa por não o ter visto ou ouvido em directo mas, como Vossa Excelência deve entender, depois dos seus últimos actos para comigo (e para com muitos dos que discordam de si), NÃO TENHO MUITA VONTADE DE O VER OU OUVIR.
De acordo com o que li, o Senhor disse que: NÃO HÁ RISCOS associados a FRAGMENTAÇÃO SOCIAL.
Meu caro Senhor Professor, lamento informá-lo mas ESTÁ ENGANADO, quiçá mal informado, mal assessorado ou, simplesmente, mal acompanhado.
CONVIDO-O A LEVANTAR-SE DA SUA CADEIRA PRESIDENCIAL e fazer uma visita ao País real.
Como estamos em época de contenção de custos, proponho-lhe, desde já, uma viagem simples (menos de 20 euros por cada pessoa que quiser levar na comitiva presidencial, recorrendo aos bons serviços da CARRIS e aos excelentes serviços do Metropolitano de Lisboa).
Repito: CONVIDO-O A LEVANTAR-SE DA SUA CADEIRA PRESIDENCIAL e fazer uma visita ao País real.
Uma visita simples:
- Saia do palácio ao princípio da manhã e apanhe um autocarro de Belém para o Areeiro; meta-se no Metro e saia na Estação dos Anjos, ao meio da manhã, para ver a FILA DE ESFOMEADOS (SÃO PESSOAS) que ali se junta (e ali se aguenta um par de horas) para receber uma REFEIÇÃO GRATUITA;
- Meta-se de novo no Metro, escolha qualquer direcção e saia num dos grandes centros comerciais de Lisboa e vá almoçar; OBSERVE as pessoas que navegam nas zonas de alimentação à espera que os outros se levantem para, de forma rápida, se sentarem para COMER OS RESTOS DEIXADOS NOS PRATOS (e repare, REPARE BEM, SÃO PESSOAS que ainda se conseguem apresentar de forma suficientemente “bem” para escaparem à vigilância dos seguranças);
- Apanhe o Metro, um Autocarro, ou uma combinação dos dois e vá até junto do Tejo; passeie a tarde a pé do Terreiro do Paço até ao Cais do Sodré e observe; OBSERVE as pessoas (são velhos, essa raça desprezada, mas ainda SÃO PESSOAS) que disputam com os Pombos e as Gaivotas as dádivas de comida, para espanto (e fotografia) dos turistas que nos visitam;
- Apanhe o Metro e vá jantar a outro dos grandes centros comerciais da Cidade e observe; OBSERVE que se repete a cena do almoço (e olhe bem, SÃO PESSOAS);
- Não demore muito a jantar; apanhe a linha vermelha e saia nas Olaias por volta das 21:30 e veja o aglomerado de pessoas (SÃO PESSOAS, Senhor Presidente) que esperam ansiosamente a colocação, no exterior, dos caixotes do lixo do supermercado para, cuidadosamente, tentar encontrar “coisas” que se possam comer;
- Já que está por ali, entre de novo na linha vermelha e vá até à Gare do Oriente, um dos símbolos indiscutíveis do Portugal Moderno; sente-se no muro junto à PSP e observe; OBSERVE as pessoas (SÃO PESSOAS, Senhor Professor, muitas pessoas) que naqueles muros frios encontram a única cama que lhes resta para passar a noite.
Repito: CONVIDO-O A LEVANTAR-SE DA SUA CADEIRA PRESIDENCIAL e fazer uma visita ao País real. Esta visita simples que lhe propus. Bem sei que o Senhor acha que eu sou pouco inteligente e que pertenço ao grupo de pessoas que, erradamente (as palavras são suas), escrevem contra o oásis em que vivemos. Mas, por uma vez, aceite um conselho meu: LEVANTE-SE DA SUA CADEIRA PRESIDENCIAL e vá sentir a verdade.
Se, por dificuldades orçamentais, esta visita não planeada, não tiver autorização de verbas do Sr Dr Vitor Gaspar, ofereço-me aqui, PUBLICAMENTE, para a custear.
Eu sei, reconheço-lhe isso, que o Senhor é superiormente inteligente. Muito mais que eu. De qualquer outra forma TERIA SIDO IMPOSSÍVEL, para si, com os seus, e da Sra D Maria, MODESTOS RENDIMENTOS (as palavras são, uma vez mais, suas) ter-se tornado rico e juntado o pecúlio MILIONÁRIO que detém.
Mas, se é assim inteligente, é impossível não ser observador. LEVANTE-SE DA SUA CADEIRA PRESIDENCIAL e OBSERVE!
E, meu caro, SE DEPOIS DESTA VISITA, que graciosamente lhe desenhei, continuar a achar que NÃO HÁ RISCOS associados a FRAGMENTAÇÃO SOCIAL, então o caso é muito mais sério do que aparenta! Não sei se por degeneração mental, como alguns afirmam, se por chantagem sobre o caso BPN, como outros ventilam ou, ainda, se por PURA MALDADE (eventualmente refinada com a idade). Só sei que É GRAVE!
Despeço-me respeitosamente, aproveitando para lhe deixar um último conselho (meu e de todos os que ainda temos uma réstia de humanidade): aproveite o facto de se ter LEVANTADO DA SUA CADEIRA PRESIDENCIAL e … VÁ-SE EMBORA!
Respeitosamente,Carlos Paz
terça-feira, 18 de junho de 2013
Meu filho,
Chegaste a casa empolgado da manifestação, vieste com os olhos brilhantes a falar da mudança do sistema e do grande crime que as gerações mais velhas cometeram para com os da tua idade.
Vieste a falar do ?massacre geracional? e dos benefícios dos reformados que serão vocês que sustentam.
Disseste até que são explorados hoje e que, quando for a vossa vez, não terão o dinheirinho da reforma à vossa espera.
Pois, filho, deixa que te diga umas coisas para acrescentares à tua reflexão.
Eu e a tua mãe vivemos sempre do que pudemos ganhar com o nosso trabalho.
Eu entrei para o Ministério como auxiliar de contabilidade, depois de tirar o curso à noite, a trabalhar de dia como vendedor, porque o meu pai, pobre agricultor, mal ganhava para o sustento dos meus irmãos mais pequenos.
Nunca gostei de contabilidade, gostava era de vender, mas era uma profissão certa e eu tinha família para sustentar.
A tua mãe ficou em casa, a cuidar de ti e da tua irmã, porque não havia escolas para os pequenitos e as vizinhas já não podiam tomar conta de mais crianças.
Sempre sonhei montar o meu escritório de contabilista mas o que queres?
Como funcionário teria direito à pensão para a qual descontava, a minha família beneficiava da ADSE, para a qual descontei, era a segurança da minha velhice e da tua mãe.
Fiquei, fiquei 42 anos e reformei-me como chefe de repartição, a tua mãe com muito menos porque só descontou 20 anos como auxiliar numa escola.
Com a velhice assegurada, ainda que modestamente, pagámos os teus estudos até tarde, já tinhas mais de 25 anos quando acabaste o curso na Universidade privada porque nunca tiraste média para ir para o ensino público.
Foi com o meu salário que te compramos a mota, depois te demos a carta e o automóvel, foi porque pensámos que não precisaríamos de juntar para a velhice mais do que o que descontávamos que te pagámos os anos de inglês, o karaté, as viagens nas férias com os teus amigos.
Sim filho, deixa que te diga, acusaste-me tantas vezes de ser conformado, de ir para a repartição e ter um salário modesto, querias que arriscasse, abrisse um negócio, como o pai da Elsa, a rapariga de quem estás divorciado, mas se eu deixasse tudo lá se ia a minha pensão e a protecção na saúde, teria que juntar para a minha velhice e da tua mãe e não poderia dar-te e à tua irmã o que tanto gostavam.
Comprámos a casa a crédito porque já não suportavas o bairro modesto, a casa alugada e velha, querias viver bem, a tua irmã dizia que tinha vergonha de levar lá os amigos do colégio, pagámos a casa mesmo a tempo de te ajudar a comprar a tua, quando casaste e o pai da Elsa já estava em sarilhos com os seus negócios.
Ainda te disse para ficarem lá em casa, até endireitarem a vida, a tua irmã já estava a estudar fora, no Algarve, no curso que escolheu, com um esforço acomodávamo-nos todos, mas não quiseste, gritaste que eu era manga-de-alpaca, que nunca teria uma vida capaz, a prova é que nunca saí da repartição, a contar com a reforma e as pantufas.
Pois é, filho, desculpa, pensei que podia gastar contigo e com a tua irmã o que os meus pais não puderam gastar comigo.
Pensei que tinha uma reforma e por isso não precisava de proteger mais os meus anos de velho.
O que eu não sabia era que te estava a explorar.Agora gritas que me sustentas, e à minha reforma e eu não sei porquê mas talvez tenhas razão, eu devia ter sido mais prudente e guardar para mim e para a tua mãe o que te dei com tanto amor.
A contar que não te seria pesado, que não terias que me sustentar como eu fiz com os meus pais e a tua mãe com os dela, lembras-te? Vieram viver cá para casa, admiraram-se com a nossa casa tão grande, com o nosso nível de vida, e dividimos com eles o que havia.
Ainda bem que terei uma reforma, pensei tantas vezes, posso gastar com eles o que ganho, e com os meus filhos, talvez com os meus netos se precisarem.
Nunca levei a tua mãe ao México, ou ao Brasil, nem sequer a Paris, gasta com os garotos, dizia ela, eles têm que viver o tempo deles, a gente não precisa.
Tu foste, foste a tantos lados, ficavas 6 meses e mais, dizias que era dos estudos, depois voltavas cheio de ideias para comprar um computador novo, um plasma, uns sofás novos, pai, dizias, os tempos são outros, se tens dinheiro compra, para que te agarras ao dinheiro se vais ter uma reforma?
Desculpa, filho, acho que te estou a massacrar, e à tua geração mas deixa que te diga que me preocupa muito a tua mãe, quando eu morrer ela só vai ficar com metade do que eu recebo, se ainda a deixarem receber isso, e não chega, não chega para te ajudar a pagar as pensões de alimentos aos meus netos, não chega, filho, não chega.
Deixa que te diga que te dei tudo o que tinha, com orgulho e com amor.
Hoje, filho, quando te ouço, penso quem me dera ter poupado para a minha velhice e da tua mãe, em vez de te ser tão pesado agora, com a minha pensão.
No Quarta República
Chegaste a casa empolgado da manifestação, vieste com os olhos brilhantes a falar da mudança do sistema e do grande crime que as gerações mais velhas cometeram para com os da tua idade.
Vieste a falar do ?massacre geracional? e dos benefícios dos reformados que serão vocês que sustentam.
Disseste até que são explorados hoje e que, quando for a vossa vez, não terão o dinheirinho da reforma à vossa espera.
Pois, filho, deixa que te diga umas coisas para acrescentares à tua reflexão.
Eu e a tua mãe vivemos sempre do que pudemos ganhar com o nosso trabalho.
Eu entrei para o Ministério como auxiliar de contabilidade, depois de tirar o curso à noite, a trabalhar de dia como vendedor, porque o meu pai, pobre agricultor, mal ganhava para o sustento dos meus irmãos mais pequenos.
Nunca gostei de contabilidade, gostava era de vender, mas era uma profissão certa e eu tinha família para sustentar.
A tua mãe ficou em casa, a cuidar de ti e da tua irmã, porque não havia escolas para os pequenitos e as vizinhas já não podiam tomar conta de mais crianças.
Sempre sonhei montar o meu escritório de contabilista mas o que queres?
Como funcionário teria direito à pensão para a qual descontava, a minha família beneficiava da ADSE, para a qual descontei, era a segurança da minha velhice e da tua mãe.
Fiquei, fiquei 42 anos e reformei-me como chefe de repartição, a tua mãe com muito menos porque só descontou 20 anos como auxiliar numa escola.
Com a velhice assegurada, ainda que modestamente, pagámos os teus estudos até tarde, já tinhas mais de 25 anos quando acabaste o curso na Universidade privada porque nunca tiraste média para ir para o ensino público.
Foi com o meu salário que te compramos a mota, depois te demos a carta e o automóvel, foi porque pensámos que não precisaríamos de juntar para a velhice mais do que o que descontávamos que te pagámos os anos de inglês, o karaté, as viagens nas férias com os teus amigos.
Sim filho, deixa que te diga, acusaste-me tantas vezes de ser conformado, de ir para a repartição e ter um salário modesto, querias que arriscasse, abrisse um negócio, como o pai da Elsa, a rapariga de quem estás divorciado, mas se eu deixasse tudo lá se ia a minha pensão e a protecção na saúde, teria que juntar para a minha velhice e da tua mãe e não poderia dar-te e à tua irmã o que tanto gostavam.
Comprámos a casa a crédito porque já não suportavas o bairro modesto, a casa alugada e velha, querias viver bem, a tua irmã dizia que tinha vergonha de levar lá os amigos do colégio, pagámos a casa mesmo a tempo de te ajudar a comprar a tua, quando casaste e o pai da Elsa já estava em sarilhos com os seus negócios.
Ainda te disse para ficarem lá em casa, até endireitarem a vida, a tua irmã já estava a estudar fora, no Algarve, no curso que escolheu, com um esforço acomodávamo-nos todos, mas não quiseste, gritaste que eu era manga-de-alpaca, que nunca teria uma vida capaz, a prova é que nunca saí da repartição, a contar com a reforma e as pantufas.
Pois é, filho, desculpa, pensei que podia gastar contigo e com a tua irmã o que os meus pais não puderam gastar comigo.
Pensei que tinha uma reforma e por isso não precisava de proteger mais os meus anos de velho.
O que eu não sabia era que te estava a explorar.Agora gritas que me sustentas, e à minha reforma e eu não sei porquê mas talvez tenhas razão, eu devia ter sido mais prudente e guardar para mim e para a tua mãe o que te dei com tanto amor.
A contar que não te seria pesado, que não terias que me sustentar como eu fiz com os meus pais e a tua mãe com os dela, lembras-te? Vieram viver cá para casa, admiraram-se com a nossa casa tão grande, com o nosso nível de vida, e dividimos com eles o que havia.
Ainda bem que terei uma reforma, pensei tantas vezes, posso gastar com eles o que ganho, e com os meus filhos, talvez com os meus netos se precisarem.
Nunca levei a tua mãe ao México, ou ao Brasil, nem sequer a Paris, gasta com os garotos, dizia ela, eles têm que viver o tempo deles, a gente não precisa.
Tu foste, foste a tantos lados, ficavas 6 meses e mais, dizias que era dos estudos, depois voltavas cheio de ideias para comprar um computador novo, um plasma, uns sofás novos, pai, dizias, os tempos são outros, se tens dinheiro compra, para que te agarras ao dinheiro se vais ter uma reforma?
Desculpa, filho, acho que te estou a massacrar, e à tua geração mas deixa que te diga que me preocupa muito a tua mãe, quando eu morrer ela só vai ficar com metade do que eu recebo, se ainda a deixarem receber isso, e não chega, não chega para te ajudar a pagar as pensões de alimentos aos meus netos, não chega, filho, não chega.
Deixa que te diga que te dei tudo o que tinha, com orgulho e com amor.
Hoje, filho, quando te ouço, penso quem me dera ter poupado para a minha velhice e da tua mãe, em vez de te ser tão pesado agora, com a minha pensão.
No Quarta República
A biografia do Major
.......................... ......... (Nasce em Calde, a 24 de Dezembro de1938), empresário, político e dirigente desportivoportuguês.
Frequentou o curso de Direito naFaculdade de Direito da Universidade de Coimbra, sem o terminar. Juntou-se ao exército sobre o regime Salazarista e, anos depois, foi julgado e condenado em tribunal militar por andar a vender munições ao PAIGC que, alegadamente, matava os nossos soldados na Guiné. Foi também condenado por roubar as rações do exército para lucro próprio (ficando posteriormente conhecido por muitos como o "Capitão Batata"). Isto porque estava no aprovisionamento militar e desviava géneros e bens alimentares para vender para fora.
Foi expulso, com desonra, do exército.
Foi, depois do 25 de Abril, readmitido e promovido a Major pelo Conselho da Revolução.
Desviou, alegadamente, 40.000 contos do BCP com uma transacção com um cheque em dólares americanos sobre um banco que não existia.
Como cônsul "honorário" da Guiné-Bissau usou esse título para, alegadamente, falsificar certidões de nascimento de jogadores e potenciais jogadores de futebol, que comprou e vendeu numa tipologia de negócio pouco digna.
Distinguiu-se como dirigente desportivo, tendo sido presidente doBoavista F.C. entre1972 e1995 e presidente daLiga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP) até Agosto de2006. Actualmente (2008), é presidente da Assembleia Geral da mesma instituição.
Na política, foi militante doPartido Social-Democrata, tendo sido presidente da Comissão Política Distrital do PSD/Porto. Assumiu um papel activo quando em1993 aceitou ser candidato à Presidência da Câmara Municipal de Gondomar, vencendo as eleições desse ano, e as de1997 e2001. Após ser desfiliado doPSD por ser acusado de práticas ilícitas enquanto autarca, venceu novamente as eleições de2005, com a lista independente «Gondomar no Coração», que alcançou 57,5% dos votos.
Foi ainda Presidente daJunta Metropolitana do Porto, entre2001 e2005 e Presidente do Conselho de Administração da Empresa Metro do Porto, S.A.
Em Julho de2008 foi sentenciado a 3 anos de prisão suspensa, no âmbito do processo judicial conhecido como Apito Dourado.
Foi recentemente condecorado com a Grã Cruz da Ordem do Infante D. Henrique, por Cavaco Silva, por motivos referentes aos seus "serviços relevantes a Portugal, no país e no estrangeiro, pelos serviços de expansão da cultura portuguesa, sua história e seus valores". Um gesto inaceitável da parte de alguns, tendo em conta o historial negro do indivíduo.
Pelos Portugueses é considerado uma Vergonha Nacional, mas infelizmente pela classe política é um herói em virtude de pertencer à corja de políticos que temos. Isto nada abona a favor do nosso país e mostra que somos um povo passivo que nada faz para o seu próprio bem futuro.
"Há um século, no mínimo, era a forca..."PARA O CONDECORADO E PARA O CONDECORADOR"
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